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Empresário ou Empresidiário?

Data
8/1/2024
Autor
Fred Alecrim
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A diferença impacta e muito nos resultados dos negócios. Reflita sobre como a centralização sufoca o crescimento, enquanto a autonomia liberta o potencial da sua equipe. Leia mais e descubra como definir o seu papel correto e assim liberar seus talentos, suas potencialidades e impulsionar seu negócio!

Vamos conversar sobre uma questão crucial para o sucesso do seu negócio: a centralização de tarefas. Você centraliza tudo ou consegue delegar? Essa pode ser a diferença entre um bom empresário e o que eu gosto de chamar de empresidiário (termo criado por Fabiana Gondim em meados dos anos 2000; escrevi sobre isso pela primeira vez no meu segundo livro, movimentação: como afastar a mesmice e melhorar resultados, de 2013).

É muito comum

Acredite ou não, muitos empresários têm dificuldade em descentralizar suas tarefas e sua gestão. E quais são os motivos por trás disso? Bem, alguns acreditam serem os únicos capazes de tomar decisões e executar determinadas tarefas importantes para o negócio. Outros, simplesmente não confiam na equipe para agir sem a sua supervisão constante. E há também aqueles que sentem a necessidade de estar presentes em tudo o que acontece na empresa para se sentirem tranquilos. Se identificou?

Não é novidade

A centralização excessiva atrapalha o crescimento. Por mais brilhante que um líder seja, ele simplesmente não consegue pensar em tudo, tomar todas as decisões e fazer todas as tarefas necessárias para o bom funcionamento da empresa. Nas gestões centralizadoras, é comum encontrar um ambiente tóxico onde as pessoas se sentem desvalorizadas e sem autonomia para pensar e agir. Isso resulta em lentidão na execução dos processos e falhas devido à falta de uma visão abrangente.

Além disso, a centralização sufoca a criatividade e inibe a inovação. Para uma empresa mudar, crescer e evoluir, é fundamental ter uma cultura estimulante, trabalho em equipe, criatividade e inovação. Essas características aumentam significativamente as chances de alcançar melhores resultados de forma sustentável.

Um bom caminho é delegar tarefas, dar autonomia à equipe e confiar para poderem contribuir com ideias e tomar decisões. Assim, o negócio poderá responder de forma ágil às necessidades e desejos dos clientes.

Ilhas ao invés de continentes

A centralização também contribui para a formação de ilhas na empresa, desconectando emocional e psicologicamente os profissionais de seu trabalho. E isso é prejudicial para todos e todas. O próprio empresário(a) pode ver seu grande sonho se transformar em um tremendo pesadelo. Em vez de se tornar um empresário de sucesso, ele se torna um empresidiário, um refém do seu próprio negócio, preso às rotinas, tarefas e controles que apenas ele entende. O empresidiário está tão imerso nas tarefas diárias que não consegue pensar e agir estrategicamente.

Penso que, para um negócio crescer, o empresário precisa crescer primeiro. E esse crescimento passa também pela habilidade de delegar tarefas e dar autonomia. Simples, porém nada fácil. Mas, vamos ser honestos, quem disse que empreender é fácil? Cada passo é um desafio a ser superado.

Por onde começar?

Uma dica é listar todas as tarefas que você realiza no seu negócio. Dedique uma semana para escrever todas as atividades que ocupam sua agenda e seu tempo. Em seguida, marque aquelas que apenas você pode fazer. Esse momento é crucial, pois se você tem uma tendência a centralizar compulsivamente, provavelmente marcará todas as tarefas como “apenas você pode fazer”. Aqui começa o processo libertador para você, sua equipe e seu negócio.

Lembre-se: você planejou, investiu dinheiro e inspirou pessoas a abraçarem a visão do seu negócio e acreditarem em um futuro promissor. Portanto, não permita que esse sentimento centralizador impeça seu sonho e sua visão de alcançarem todo o seu potencial. Ao delegar, você estimula as pessoas a se engajarem cada vez mais e a produzirem mais e melhor.

Após marcar as tarefas que apenas você pode fazer, analise cuidadosamente as que não foram marcadas. Essas são as tarefas que podem ser delegadas. Ao lado de cada uma delas, escreva o nome das pessoas que podem ser responsáveis por executá-las. É importante escolher a pessoa certa para cada tarefa. Nesse ponto, a ajuda do RH da sua empresa pode ser muito valiosa. A gestão de pessoas pode contribuir para um processo de delegação mais eficiente.

O terceiro passo é o acompanhamento. Mais uma vez, o RH pode auxiliar na definição da melhor forma de acompanhar o que foi delegado em conjunto com você. Dessa forma, o empreendedor delega a tarefa, mas continua confiante porque uma pessoa competente está executando o que ele costumava fazer. Além disso, um acompanhamento competente garante a manutenção dos padrões e a melhoria contínua do processo de decisão e de execução.

Mas o que é necessário para que uma gestão menos centralizadora seja bem-sucedida? É importante investir na melhoria do processo de contratação. Contratar as pessoas certas para as posições certas é fundamental e proporcionará tranquilidade ao empreendedor na hora de delegar. Outro fator importante é a capacitação contínua da equipe. Pessoas bem contratadas, bem tratadas e capacitadas podem contribuir de forma mais efetiva nas decisões e na execução, levando o sonho do empreendedor ao seu potencial máximo.

Portanto, contrate bem, trate bem, treine bem, delegue bem, acompanhe, reconheça quem se destaca e redirecione quem precisa melhorar. Delegar permite que o empreendedor tenha mais tempo para se dedicar ao acompanhamento próximo do negócio e da equipe, bem como para pensar e definir estratégias que manterão a empresa no caminho certo hoje, amanhã e sempre. O clima da empresa também melhora, pois autonomia, confiança e reconhecimento ajudam a construir pontes entre as pessoas e os setores do negócio, tornando a empresa mais unida, mais forte e mais preparada para transformar sonhos em uma realidade palpável.

Espero que tenha gostado deste material que preparei com carinho; desejo que de alguma maneira te ajude a expandir consciência, refletir e claro, a agir na direção que faça sentido para você e seu negócio e que com isso haja mais e melhores resultados.

Movimente-se!  

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Ser ágil vai além da rapidez e nem de perto é a mesma coisa que pressa; é ter uma mentalidade adaptável, capaz de navegar pelas incertezas do mercado e responder rapidamente às mudanças. É como um surfista que pega as ondas da transformação e as usa para impulsionar seu negócio.
Refletir sobre como a centralização pode sufocar o crescimento e a autonomia pode liberar o potencial da equipe é crucial para definir o papel correto no empreendimento.
Em um mundo tão dinâmico e instável, ser ágil é muito importante. A época onde passávamos a maior parte do tempo planejando o que fazer, passou. Não dá mais para liderar com base em mapas, investir a maior parte de um projeto em seu planejamento ou ainda, tentar desenvolver uma visão clara de longo prazo.

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